terça-feira, 25 de novembro de 2014

Jenkins: a cultura da participação, de Luciano Yoshio Matsuzaki



O autor começa ressaltando que a cultura de convergência vai muito além de mudanças e desenvolvimento das plataformas de mídia. Ele ressalta que perpassa também pela convergência de mídia, pela cultura participativa e envolve também a inteligência coletiva englobando-se aí aspectos culturais e sociológicos. Principalmente no que diz respeito à produção de conteúdo advindo daquilo fluxo midiático da web.  Isso trouxe à tona a tensão entre velhas e novas mídias que acabaram forçando os conglomerados midiáticos a estudarem o comportamento dos consumidores. Esse tipo de investimento apareceu com a necessidade de criar estratégias para compreender e alcançar o público-alvo. A quantidade de informações disponíveis e o número de ferramentas que permitem o acesso do consumidor de várias maneiras, acaba por transformar a relação com seu objeto de consumo. No texto, o autor explica que convergência vai muito além de um fenômeno tecnológico e de plataformas, pois, leva também a uma transformação social e cultural. Então, Jenkins faz sua análise tendo como objeto seriados e filmes americanos e aplica conceitos como: knowledge communities, affective economics, transmedia storytelling e a cultura participativa.
O primeiro, knowledge communities, consiste em antecipar partes dos programas. Uma espécie de vazamento de informações, onde geralmente os fãs mais aficionados de algum programa/filme/etc se empenham na busca de novidades e divulgam isso pelas mais diversas formas. Nesse aspecto, é analisado o modo de compartilhamento e questões éticas ao espalhar o material e de que forma a comunidade interessada no assunto reage a esse tipo de prática. Ele também observou que isso passou a influencias também o setor comercial do produto e concluiu que “as comunidades de conhecimento são o centro do processo de toda a convergência popular de mídia. Os produtores televisivos querem direcionar o tráfico do programa de televisão para a internet e outros pontos de entrada da franquia. Ou seja, pode ser um telefone celular, um console de jogos, um programa de rádio no formato podcast, embora os interesses entre produtores e consumidores não são os mesmos e às vezes se sobrepõem.”
Sobre o affective communities, o autor relata que a convergência não ocorre somente quando existem produtos e serviços num espaço regulado, mas quando o público estácom a própria mídia em mãos e tem poder sobre ela, onde ressalta que esse conteúdo de entretenimento não está somente nas plataformas de mídia, mas tem envolvimento também com nossas próprias histórias de vida, memórias, acontecimentos do cotidiano que perpassam por esses canais do mesmo modo, chegando a ser visto como uma nova perspectiva da teoria de marketing, além de os fãs terem grande influência sobre a programação.
O transmedia storytelling é quando um produto (uma narrativa transmidiática, por exemplo) é feito para não caber dentro de uma só mídia, tendo espaço para desdobramentos em diversos âmbitos, possibilitando inclusive produções paralelas, onde cada produção contribui para o material no todo. Nessa perspectiva, o autor observa que o produto como um todo pode ser “subdividido” em jogos, revistas, quadrinhos, blos e todos têm independência, pois, podem ser compreendidos perfeitamente pelos consumidores. Produtos esses que são resultado de parcerias entre autores e consumidores, onde o segundo contribui diretamente para a expansão do conteúdo.
Na Cultura Participativa, Jenkins observa o quanto os fãs/consumidores assíduos de produtos de entretenimento, tem sua importância no mercado. Esse público é um segmento de grande potencial lucrativo. Ele produz, ainda que amadoramente, seu conteúdo midiático e é dessa forma que estabelece um novo tipo de relação com os produtores de livros, filmes, séries, pois passa a querer ter um completo envolvimento com aquilo que admira. A internet permitiu esse tipo de interferência que praticamente fundiu o papel de produtor e consumidor midiático.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O Culto do Amador de Andrew Keen


Keen, o autor começa a contar sua trajetória ao criar o Audiocafe.com., um dos primeiros sites com música digital. Através dele, passou a difundir sua ideia de que gostaria de compartilhar e ter músicas acessíveis em todos os lugares e melhorar o mundo com isso, o que basicamente é o “lema” da internet: ter acesso a diversos conteúdos em várias plataformas e mídias. Isso chamou atenção de muitos investidores, o que acabou tornando-o rico. Depois o autor descreve como acontece o evento de O’Rilley, no Vale do Silício, onde diversos apreciadores/especialistas da tecnologia e empresários da nova mídia se reuniam com um sentimento em comum que era o de “uma hostilidade partilhada em relação à mídia e aos entretenimentos tradicionais. Mistura de Woodstock com Burning Man (o festival contemporâneo de autoexpressão realizado num deserto em Nevada) e com um pouco de retiro da Stanford Business School, o FOO Camp é onde os partidários da contracultura dos anos 1960 se encontram com os entusiastas do livre-mercado dos anos 1980 e os tecnófilos dos 1990.”

Eles comemoravam enfim a volta da internet, agora batizada por Tim O’Reilly, de Web 2.0. com isso, o sonho de que todos os americanos estivessem conectados, com acesso à banda larga, estava tornando-se realidade. Daí, a palavra-chave do encontro foi “democratização”. As perspectivas diante do acontecimento ampliou-se também para o quanto esta democratização poderia ser revolucionária. “Mídia, informação, conhecimento, público, autor – tudo iria ser democratizado pela Web 2.0. A internet ia democratizar a grande mídia, as grandes empresas, o grande governo”, explica o autor. No entanto, Keen seguia com a ideia de utilizar a tecnologia para ampliar a música entre as massas. Mas isso foi abafado pelo grupo que solidificava a ideia da democratização da mídia, onde a posição de usuário e de autor passaram a se confundir.

Num evento onde todos obrigatoriamente participavam e eram ali a nova mídia, aos poucos o Keen percebeu que os sobreviventes seriam aqueles que fizessem mais “barulho”, num espaço onde todos faziam seus próprios filmes e as plataformas se misturavam, ele decidiu ir na contramão e simplesmente observar tudo a sua volta. E começa a criticar a revolução digital, onde esta democratização acaba com os talentos, a credibilidade das informações, o “discurso cívico” e, consequentemente, extermina as instituições culturais.
O autor critica o fato de que a Web 2.0 veio com a promessa de levar mais verdade para mais pessoas, perspectivas imparciais, visões globais, mas ele afirma que está acontecendo justo o contrário. Muitas opiniões apaixonadas, superficiais ou simplesmente ponderadas. Situação que ele denomina como “a grande sedução”. Na mesma linha, observa que “o conteúdo gratuito e produzido pelo usuário, gerado e exaltado pela revolução da web 2.0, está dizimando as fileiras de nossos guardiões da cultura, à medida que críticos, jornalistas, editores, músicos e cineastas profissionais e outros provedores de informação especializada estão sendo substituídos por blogueiros amadores, críticos banais, cineastas caseiros e músicos que gravam no sótão. Enquanto isso, os modelos de negócios radicalmente novos, baseados em material gerado pelo usuário, sugam o valor econômico da mídia e do conteúdo cultural tradicionais.”

Além disso, ele diz que essa promessa vazia de democratização da mídia só está empobrecendo a cultura, tirando a credibilidade das informações e gerando um caos de excesso de informações descartáveis. A verdade, no caso, deixaria de ser um aspecto comum a todos e passaria a ser uma versão individual personalizada de cada produtor de informação fazendo até com que a própria verdade em si desaparecesse. Os blogs até hoje são os espaços em que isso se evidencia com mais facilidade, defende. O custo disso tudo, segundo Keen, é a queda na qualidade e confiabilidade da informação gerada. Além disso, as consequências “reais” onde jornalistas são demitidos, jornais fechados, livrarias falidas, tudo por culpa do conteúdo grátis gerado pelos usuários de internet. Porém, esta cultura do grátis tem um preço. Mas são as grandes empresas que ganham com tudo isso e os usuários terminam por ser os grandes fornecedores dessa "criatividade" ou desse "talento".

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Meio é a mensagem subliminar.

O                                    Meio                                             é a mensagem subliminar.


FICHAMENTO
"The Shallows" – Capítulo 1, de Nicholas Carr

Nas primeiras linhas vi que “The Shallows” fala de um tempo passado que agora é presente. Marshall MacLuhan prenunciou uma realidade que conhecemos atualmente em Os meios de comunicação como extensões do homem” , observando a ruptura do pensamento linear e destacando que a “mídia elétrica” (rádio, televisão, telefone, cinema) do século XX suplantou a capacidade do texto quando se tratava a mexer com nossos sentidos e pensamentos.
MacLuhan já alertava sobre um processo onde a consciência seria “(re)produzida” de maneira tecnológica e o processo da construção do saber seria algo coletivo. No entanto, o autor sinaliza através da conhecida frase “O meio é a mensagem”, que está no livro, não só a importância desse novo aparelhamento tecnológico, mas também o perigo de não se enxergar o poder nele contido.
Embora seja um dos (se não o) meio que mais estimula a participação e o debate sobre os mais variados assuntos, muitos criticam a internet principalmente pelo viés do conteúdo.  No entanto, o debate tornou-se redundante e de certa forma raso, pois, conteúdo é mais uma questão de gosto. De um lado, alguns enaltecem a democratização da informação, do acesso e, do outro, batem ferozmente na baixa qualidade do que está sendo oferecido na rede.
O que todos esqueceram é que, de fato, o conteúdo perde sua importância com o tempo e o que sobrevive, de uma maneira mais ampla, é a mídia utilizada, a maneira pela qual o processo de comunicação ocorreu, ou seja: o meio da mensagem. É isso que MacLuhan salienta e acrescenta dizendo que a massificação desta tecnologia vai influenciar diretamente nos gostos, na visão de mundo e, de acordo com seu uso, pode até transformar a personalidade do indivíduo.
Como usuários, a grande maioria de nós pensa que a funcionalidade da tecnologia só acontece enquanto estamos no comando, utilizando-a. Isto é um erro porque acabamos direcionados de certa forma em vários aspectos da vida. Certo grupo de empresários da mídia de massa defende que a culpa é de como se usa a tecnologia e não dela propriamente dita. Já MacLuhan sustenta que “toda nova mídia nos modifica”.
O autor começa a observar alguns hábitos que, aos poucos, foram se modificando com o excesso de informações e a instantaneidade desse conteúdo fornecido pela web, por exemplo. Ele cita o ato de leitura, a falta de concentração, a questão de conseguir manter o foco em longas narrativas e completa falando dos hábitos que passaram a ser modificados com as “facilidades” promovidas pela internet.
Apesar disso, algumas vantagens são citadas por alguns autores/leitores da internet, como: maior acesso à diversidade de informações, o aumento de criatividade, leitura rápida, etc. Embora a superficialidade das informações, bem como de sua interpretação seja criticada, a dicotomia do pensamento em rede versus o pensamento linear tem pontos bem definidos e ultrapassa a barreira da mídia.
Dessa forma, passou-se a estudar os hábitos de uso da internet e toda sua influência no cotidiano das pessoas para constatar que em duas décadas a sociedade tornou-se totalmente dependente dela, ficando de algum modo, conectada. E mesmo os que sabem desse “domínio” da tecnologia, não permitem que nada atrapalhe sua relação de uso e divertimento com a mesma.
John Kennemy, autor de O homem e o computador e também o primeiro a utilizar linguagem de programação de acordo com a do cotidiano, era um dos grandes nomes da área nos EUA que buscava tornar os computadores acessíveis para professores e alunos.  Dartmouth College, onde ele estudava, abrigava os mainframes  que permitiam o sistema de tempo compartilhado, aquilo que podemos comparar ao que chamamos hoje de computador pessoal. Posteriormente, Kennemy escreveria em seu livro algo sobre esta relação de convivência entre o homem e o computador.
Essa relação passou a ser apenas de comandado e comandante, onde o homem começou a enxergar o computador como uma ferramenta em que era possível também organizar, encontrar e dividir informações. Ao mesmo tempo em que a máquina, através de novas tecnologias, era adaptável às “necessidades” do ser humano, o ser humano começa a se adaptar às novidades oferecidas pelo aperfeiçoamento da máquina, do seu uso e do usuário. Por consequência, isso passou a deixar evidente o ciclo onde o homem e o computador se interligam e se completam de algum modo, criando uma de dependência em diferentes aspectos, como: social, comportamental e de saúde.
O som transformador, do modem se conectando através da linha do telefone aos servidores, é o meio da mensagem que não vimos durante muito tempo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Texto A Cauda Longa, de Chris Anderson.


Fichamento dos Capítulos I e V.


O texto inicia fazendo a apresentação de um fenômeno de venda promovido e identificação de comportamento de consumo que perpassam diretamente pela internet. Onde a opinião do comprador, a leitura e o modo de como a oferta dos produtos foi realizada foram de fundamental importância para o sucesso de vendas do produto. No caso, ele cita o exemplo de livros semelhantes lançados em épocas diferentes. Além disso, o aparecimento de outro espaço de comercialização, no caso a livraria online, que permite uma série de informações em tempo real, além da facilidade e comodidade do comprador em ter acesso a diversos ambientes e conteúdos de outros usuários que já adquiriram e avaliaram o produto para decidir sobre sua compra.
Trata-se de um novo modelo econômico que vem mostrando sua força à medida que revela também os hábitos de compra e preferências desse novo público consumidor. Esse mercado do entretenimento digital vem nos apresentar uma nova perspectiva de público-alvo que, se antes era pensada e tratada como mercado de massa, limitando a gama de ofertas, hoje passa a mostrar suas peculiaridades e a direcionar o espaço virtual de compra-venda para os nichos.
A dificuldade maior é encontrar públicos locais que tenham interesse no que será vendido, além de a loja física limitar o acesso do público ao produto, assim como a venda do mesmo que fica restrita a uma região. Em termos de lucro para os proprietários, é mínimo, pois, estes terão a preocupação apenas em pagar os custos para manter a mercadoria nas prateleiras. No entanto, poucos produtos conseguem superar a barreira local. Sendo assim, ocorreu um “fechamento” no foco do marketing onde os melhores produtos eram oferecidos porque, de alguma forma, não havia possiblidade de oferecer tudo a todos pela falta de estrutura do mercado e de produção. Então, passou-se a observar que a grande maioria do que era oferecido fazia sucesso em todos os aspectos porque de fato tinha qualidade. Porém, com o crescimento das vendas on line, esta realidade passou a se reverter, atendendo às demandas do novo consumidor cada vez mais peculiar.
No século passado, o olhar sobre este mercado era voltado a observar e propagar o que mais caía no gosto do público, esquecendo aquilo que era menos visto. Atualmente esta visão vem sendo modificada, pois, passou-se a observar o poder de venda daquilo que individualmente não tinha muito destaque, mas que em um grupo mostra um importante e explorável poder de mercado. Trazendo isso para as vendas on line, o leque de produtos oferecidos acaba se tornando praticamente infinito, onde os consumidores têm a liberdade de buscar novas e antigas ofertas e onde (quase) sempre haverá alguém comprando e buscando algo relacionado à sua preferência, caracterizando-se assim o efeito da Cauda Longa. Obviamente, a Cauda Longa também tem seu lixo, mas este é simplesmente ignorado pelo mercado.
A maioria das empresas de sucesso neste ramo explora o fenômeno da Cauda Longa em diversos aspectos, com a possibilidade de ampliar seu mercado e conhecer novos negócios, principalmente no que diz respeito à lacuna de mercado aonde as lojas físicas não chegam. Além disso, a redução de custo no que diz respeito à logística e estrutura que seria necessária numa loja tradicional compensa muito mais para a empresa.
Essa nova leitura, onde havia um cenário de escolhas limitadas e hoje aponta para a abundância de ofertas, também traz a oportunidade de redução de custos entre oferta e demanda que será influência não só nos números finais, mas também na essência do mercado. O amplo acesso aos nichos revela o desejo por aquilo que não é comercial e traz muitas transformações em termos de quantidade, mas que revelam também uma preocupação com a qualidade do que é oferecido e de como isso é feito.
A Revolução Industrial fez com que o produtor tivesse o monopólio dos modos de produção e definisse a relação de consumo entre produtor e consumidor. Porém, a democratização das ferramentas de elaboração passou a dar espaço a geração chamada de Pro-Am. Esta que desenvolve um trabalho parecido com o de um profissional, sem o mesmo reconhecimento, mas que vem mostrando sua importância, pois, é reconhecidamente fruto de um momento onde a tecnologia chegou de maneira barata e ao alcance de grande parte da população. Esse compartilhamento de informações fez com que a relação profissional x amador se tornasse estreita, pois, o consumidor além de apreciar o produto passou a ter interesse sobre como ele era feito e, consequentemente, a produzi-lo.